Publicado por: paulobedran | 11/03/2012

São Miguel dos Milagres

São Miguel dos Milagres é um paraíso incrustado na Costa dos Corais, nome pelo qual é conhecido o litoral norte alagoano. A vila de pescadores guarda praias incríveis, pousadas de charme e um povo humilde e hospitaleiro. Apesar da proximidade com a capital e do litoral exuberante, a natureza resiste, milagrosamente, à devastação do turismo predatório de massa. Ainda não existem grandes estabelecimentos hoteleiros na região. Simpáticas e requintadas, as poucas pousadas existentes acolhem os turistas que visitam o pequeno município. Destaco a Pousada Origami, propriedade do sansei Marcos Suzuki, quem nos recebeu com muita hospitalidade. Impressionante como boa parte dos forasteiros que se instalaram em São Miguel tem conseguido intervir positivamente na comunidade local, proporcionando emprego, qualificação profissional e a disseminação de uma cultura ambiental sustentável.

Pousada Origami

As praias são a grande atração do lugar. Difícil ranqueá-las, são tantas, tão belas e tão distintas que não vejo como eleger preferidas. A faixa de areia branca percorre quilômetros balizada, de um lado por um mar turquesa, doutro por paredes de coqueiros. Em Barra de Santo Antônio – município vizinho – o viajante pode apreciar incríveis falésias e resquícios da tão ameaçada mata atlântica. Trata-se da única região do estado onde o referido bioma ainda encontra-se com a praia. A melhor maneira de explorar os segredos litorâneos é caminhando.

Se tiver disposição, três dias serão suficientes para destrinchar o litoral. No primeiro, partindo da Praia do Centro,  rume ao norte, tendo Porto de Pedra como destino (15 km). No segundo, tendo como ponto de partida a Praia do Centro, caminhe para o sul, em direção ao rio Camaragibe (9 km). No terceiro, inicie da Barra de Camaragibe e aventure-se até Barra de Santo Antônio (15 km). Utilize a tábua de marés no planejamento, pois, alguns trechos ficam mais difíceis de transpor na maré cheia: como as regiões de falésias e as de estuários.

Cumpridas as três etapas, terá desfrutado do que há de mais incrível no litoral alagoano. Para otimizar o tempo, caminhe apenas a ida.  A opção mais fácil para retornar a São Miguel no final do dia é o serviço de moto-táxi. Não existem táxis convencionais na região, tampouco transporte público coletivo regular. Busque informação sobre o serviço de moto-táxi junto aos funcionários da pousada na qual estiver hospedado. A estrada que liga Barra de Santo Antônio a São Miguel dos Milagres é significativamente mais extensa do que o trecho de litoral que separa os municípios. Assim, sugiro que, para o retorno do terceiro dia, seja utilizado o coletivo intermunicipal.  Não esqueça de levar água e algo para comer, as praias são desertas, há longos trechos sem opções de comércio de qualquer espécie.

 

No primeiro trajeto, em poucos minutos alcança-se a foz do rio Tatuamunha, um lugar de beleza ímpar. Tal rio é um dos mais conhecidos da região, nele encontra-se instalado uma unidade do Projeto Peixe-Boi, iniciativa responsável por reintroduzir à natureza a espécie ameaçada de extinção. A base do projeto fica alguns quilômetros rio acima e pode ser visitada, desde que com o devido agendamento. Na maré baixa atravessa-se o Tatuamunha, com certa facilidade, com água à cintura. Se der a sorte que demos, poderá deparar-se com um peixe-boi marinho curtindo as rasas águas cristalinas do lugar. Poucos foram soltos até então e nem todos sobreviveram; a improbabilidade daquela experiência a tornou ainda mais incrível. O mamífero assusta pelo tamanho e encanta pela docilidade, estima-se que existam apenas cerca de 500 animais ainda habitando o litoral brasileiro. Outras surpresas lhe aguardam pelo caminho, umas delas é a Praia de Patacho.

No trecho do segundo dia, destaque para a Praia do Marceneiro e a Barra de Camaragibe. Para fechar com chave de ouro, enfim, o terceiro dia. Peça ao moto-taxista para deixá-lo na balsa próxima à foz do rio Camaragibe, do outro lado fica a Praia do Morro, o ponto de partida. Rume sentido sul, paisagens de tirar o fôlego lhe esperam. Da Praia do Morro à Praia Carro Quebrado, as falésias dominam o visual. No meio do caminho fica a Praia da Pedra da Cebola, uma pequena faixa de areia, um visual deslumbrante, corais, mata atlântica, mar turquesa, falésias douradas… uma combinação dos deuses. 

O artesanato local é autêntico e de ótima qualidade, destaque para a renda filé e as sandálias de couro. A Associação das Costureiras especializou-se na fabricação de peixes-boi de pelúcia; o animal, símbolo da região, ganha faces mil e multicoloridas nas mãos daquelas artistas.

Associação das Costureiras

Vale a pena visitar também o ateliê do Lima, especialista em sandálias de couro. O irreverente artesão encanta pela simpatia e pela arte. A tradicional renda filé é outro ícone alagoano. Charmosa e rústica, a renda confeccionada em tear manual adorna toalhas, vestidos e tantos outros adereços. Móveis construídos com madeira de jaqueira podem ser encontrados com certa facilidade no município.

Ateliê do Lima

Se tiver a oportunidade, não dispense a prosa dos locais. Os acanhados nativos são donos de vasta sabedoria. Não há melhor do que o pescador para ensinar sobre o movimento das marés, do que a rendeira para explicar a técnica de engomar, do que o sorriso das descalças crianças para lembrar o que é felicidade.

Publicado por: paulobedran | 16/02/2012

Japaratinga – AL

Ao contrário das piscinas naturais de Porto de Galinhas e de Maragogi, as de Japaratinga ainda preservam farta vida marinha. Enquanto preparo o post sobre a viagem pela Costa dos Corais, adianto algumas fotos subaquáticas feitas nas piscinas de Picão, em Japaratinga.

Obs.: As fotos foram feitas em mergulho livre, utilizando uma câmera Canon G12 e um saco estanque.

Publicado por: paulobedran | 19/12/2011

Viajando para Pipa

Por uma sucessão de acasos, gozei de inesperadas férias em um lugar muito especial do litoral potiguar: Praia da Pipa. O distrito de Tibau do Sul é encantador, dono de uma energia contagiante e de paisagens naturais de tirar o fôlego. Apesar de toda a badalação que hoje o envolve e do crescimento do turismo experimentado na última década, preserva os bons ares da antiga aldeia de pescadores. Fica a 85 km  de Natal, de onde partem ônibus quase que a cada hora para Pipa, a passagem custa R$ 10,50. Alcança-se o distrito através da BR-101, chegando à cidade de Goianinha, restam apenas os 18 km da RN-03 até Tibau do Sul. Para conhecer a vila e o litoral, basta disposição para caminhar e um mapa com o esboço da região. Automóveis são dispensáveis, o centro é pequeno e as ruas são estreitas. Algumas praias são um pouco mais distantes, porém, os prazeres experimentados no trajeto recompensam o esforço.

Praia do Amor

Enganam-se os que pensam ser possível conhecer Pipa num único dia, há muito o que experimentar… Portanto, não recomendo os passeios bate-e-volta que partem de Natal.  A costa da região é de uma configuração ímpar: falésias, floresta tropical e águas cristalinas formam paisagens surreais.  A Praia dos Afogados, também conhecida como Praia do Amor, é a mais badalada e um bom ponto de referência para o planejamento. Reserve pelo menos um dia para explorar o litoral sul e outro para o do norte. Alguns quilômetros de caminhada, rumo ao sul, são suficientes para se chegar ao povoado de Sibaúma. Logo ao final da Praia dos Afogados está o Chapadão, uma planície sem vegetação no topo das falésias, de onde tem-se uma das vistas mais incríveis da região. Na ponta que separa a Praia dos Afogados da Praia das Minas está o motivo do nome do povoado, a Pedra do Moleque. A rocha tem a forma de um barril que, no português dos colonizadores, é usualmente chamado de pipa.

Praia das Minas

Vencendo a curva da pedra, chega-se à Praia das Minas, minha predileta. São 5 km de praias desertas, emolduradas por coloridas e imponentes falésias.  Ao avistar uma vila de pescadores, chegou Sibaúma, onde o rio Catu encontra-se com o mar. Do outro lado do rio, está Barra do Cunhaú. Se a maré estiver baixa, atravessa-se o rio com águas aos joelhos; se alta, balsas auxiliam a transposição, custa R$ 2,00 por pessoa. Falando em maré, prefira caminhar nos períodos em que estiver baixa, as praias ficam mais bonitas e o deslocamento mais seguro. A região é recortada por falésias, na maré alta, algumas praias ficam ilhadas. As praias de Barra do Cunhaú são calmas e repletas de piscinas naturais. Depois da caminhada, para repor as energias, água de côco e peixe fresco grelhado. Barra do Cunhaú é um bom lugar para almoçar e curtir o fim de tarde.

Praça de Sibaúma

Falando em tarde, as de Pipa são curtas. Graças à localização geográfica do estado na porção mais oriental do continente sulamericano, no verão, o sol se põe por volta das 17h30. Para aproveitar o dia, vale a pena acordar mais cedo. Como as marés interferem nos passeios, na hora do planejamento, não deixe de dar uma olhada na tábua das marés fornecida pela Marinha do Brasil. Para retornar de Sibaúma, pode-se utilizar o transporte coletivo. Vãs e micro-ônibus, chamados pelos locais de alternativos, têm como ponto de parada a praça da vila; passam a cada hora e a passagem custa R$ 1,50. De volta a Pipa, banho e rua… a noite oferece diversas atrações: lojinhas, barzinhos, bons restaurantes e agito.

Baía dos Golfinhos

O litoral norte é tão surpreendente quanto o do sul, partindo da Praia dos Afogados, são 7 km de caminhada até a Lagoa das Guaraíras. O trajeto é fantástico, logo após a Praia dos Afogados, está a Praia do Centro, onde ficam ancorados os barcos de pesca e de passeios. Na sequência, um dos pontos altos da viagem, a Praia do Curral, local frequentado pelos botos cinza, uma espécie de golfinho costeiro. O banho de mar nessa enseada de poucas ondas, na companhia destes cetáceos, é indescritível. Desde que a maré esteja baixa, chega-se facilmente à Baía dos Golfinhos caminhando pela praia. A visita pode ser realizada a bordo de uma embarcação, inclusive, é um dos passeios mais oferecidos aos turistas. Evite-os! São anti-ecológicos: resíduos de combustível contaminam as águas, o movimento das embarcações e as vibrações dos motores perturbam os animais.

Ponta do Madeiro

Continuando o deslocamento para o norte, chega-se, em seguida, à Praia do Madeiro. Formada por uma longa baía de areias claras, é uma das preferidas dos sufistas. Como tem acesso direto da estrada, através de duas escadarias, é uma praia movimentada que oferece diversas opções de barracas aos turistas. Após a Ponta do Madeiro ainda tem a Praia de Cacimbinha, a Ponta  do Pirambu, a Praia do Giz e a Lagoa das Guaraíras. A antiga lagoa de água doce foi invadida pelo mar, no início do século passado, quando do rompimento da faixa de terra que a represava, tornando-se um golfo, porém, mantendo a denominação original de lagoa. É palco de um dourado entardecer. Dica: assista ao pôr-do-sol do pier onde encontra-se instalada a creperia do Hotel Marinas. O crepe é saboroso, o preço justo e o visual fantástico.

Lagoa das Guaraíras

Dos econômicos hostels aos sofisticados hotéis de charme, as opções de hospedagem são muitas. Recomendo a Pousada Xamã, charmosa, oferece excelentes acomodações e os donos, Neusa e Antônio, são ótimos anfitriões. Pipa é também um paraíso gastronômico, restaurantes não faltam, a maioria está distribuída pela principal rua da cidade, a avenida Baía dos Golfinhos. O restaurante Água na Boca, da portuguesa Teresa, serve um suculento carré de cordeiro e uma magnífica moqueca; aproveite as dicas do simpático garçom Rinaldo. Se preferir uma bela massa a um preço justo, vai a dica: restaurante Terra Nostra; pode confiar nas sugestões de Marco, o italiano dono do lugar. Na dúvida, vá de pasta fresca ao molho  boscaiola. Os peixes e demais frutos do mar são os principais atrativos das barracas de praia. Não deixe de experimentar a cioba frita ou o filé de cavala-branca grelhado, guarnecidos com macaxeira frita. Outra dica imperdível é a Gelateria Preciosa, fica no final da rua principal, oferece sorvete artesanal, feito por italianos, de consistência e sabores únicos.

Em Tibau do Sul, Farmácia, um surfista coroa, natural de São Paulo, que mudou-se para Pipa ainda na década de 70, organiza expedições de caiaque ao interior da Lagoa das Guaraíras, que tem aproximadamente 8 km de extensão. O passeio dura 2h30′, e exige do remador um preparo físico mediano. Os horários de saída variam de acordo com o movimento das marés. Como a lagoa na verdade é um braço do mar, na ida, aproveita-se a última hora da maré enchente, para voltar na vazante. Passa-se pelo interior alagado dos mangues, onde pode-se distinguir, com ajuda dos guias, as espécies vegetais que o formam, bem como os animais que o habitam. Se der a sorte que dei, de pegar a preamar às 17h00, terá o privilégio de assistir ao sol se pôr a bordo de seu caiaque, no meio do golfo. São oferecidos caiaques individuais ou duplos, três guias acompanham a expedição, sendo que um deles fica responsável pelo registro fotográfico do passeio. Custa R$ 30,00 por pessoa.

A viagem foi sensacional, mas não tenho como negar a sensação de agonia ao rever o quão destrutiva é a presença do homem na natureza. Não há como ignorar os maus hábitos dos brasileiros, a falta de ética dos que vivem do turismo e a ganância dos empresários. Salta aos olhos a audácia dos suntuosos empreendimentos que veem ocupando áreas que deveriam ser protegidas. O pior é que, de acordo com os nativos, tudo acontece com a aquie$cência do poder público. A descaracterização ambiental gerada pela exploração turística da região, que é relativamente recente, não passa despercebida, nem aos menos atentos. Além dos senhores do capital, turistas e locais contribuem com a degradação: as embarcações de passeio não respeitam os limites legais de distância em relação à costa, aos banhistas e aos golfinhos; lixo é lançado na natureza, a toda hora, por todos… Mas tal realidade não é um problema apenas local, tais barbaridades assolam o Brasil. Pipa é linda e ainda muito mais do que retratado neste post, há cenários e segredos que só indo ver…

Obs.: As imagens que ilustram este post, com exceção desta última, foram capturadas por um iPhone 4.

Publicado por: paulobedran | 18/09/2011

Viajando para o Chile

Cinco anos depois, retorno ao Chile, que continua tão surpreendente  quanto foi da primeira vez. Foram apenas 5 dias, mesmo assim, além de Santiago, deu para dar uma passadinha pelo Valle Nevado, por Valparaiso e por Isla Negra. Viajar para o Chile tornou-se uma opção interessante para o brasileiro, pelo baixo custo, pela proximidade, pela facilidade de acesso e pela diversidade de atrações culturais e, principalmente, naturais. Atualmente, diversas empresas aéreas voam entre os dois países, inclusive as brasileiras TAM e GOL. Nessas, as passagens podem ser emitidas através dos programas de milhagem, o que pode diminuir o custo com transporte. Sobrevoar a Cordilheira dos Andes, durante um belo dia de sol e tempo aberto, é emocionante. Abaixo publico uma foto do Monte Aconcágua, feita de dentro da cabine de comando de um Airbus A330. Custei a acreditar que aquilo tudo era real.

Monte Aconcágua

Santiago, a capital chilena, é um retrato do espírito do país. Basta uma caminhada pela cidade para perceber a influência européia na arquitetura, a prosperidade econômica, a cordialidade do chileno e o maior nível de desenvolvimento social da América Latina. O sistema de metrô, além de econômico, é moderno, limpo e atende as principais regiões da capital. É uma ótima opção de transporte, ao final deste post disponibilizo um mapa da malha do metrô santiaguino. Boa parte das atrações turísticas podem ser percorridas a pé, ou se preferir, de bicicleta. A Plaza de Armas, a Catedral, o Palacio de La Moneda, o Museu de Arte Precolombino, o Mercado Central… ficam todos na mesma região. Aproveite a caminhada para percorrer os agitados calçadões Paseo Ahumada e Huérfanos, onde estão localizadas filiais das principais redes de lojas do país e os curiosos cafe con piernas.

Palacio de la Moneda

Interior da Catedral de Santiago

O Mercado Central é um lugar legal para se conhecer. A bela estrutura metálica que envolve o mercado – fabricada na Escócia no século XIX – confere um charme especial ao lugar, que, oferece opções honestas de almoço, incluindo uma grande variedade de frutos do mar. A parte central do mercado abriga os restaurantes e as bancas de frutas, legumes e verduras. Dois restaurantes dominam o espaço do mercado: Donde Augusto e La Joya del Pacífico. Seus funcionários digladiam-se pelos clientes, a abordagem chega a ser desagradável, tão quanto a insistência. Confesso que desta vez o almoço não agradou tanto quanto em 2006; talvez tenha tido azar. Recomendo o congrio, um saboroso peixe marinho de carne branca e poucos espinhos.  Dependendo da época pode-se encontrar excelentes cerejas frescas.

Mercado Central de Santiago

Para os admiradores do poeta Pablo Neruda, um dos mais importantes autores literários da América Latina, sugiro a visita a suas casas. São três: La Chascona, em Santiago; La Sebastiana, em Valparaiso; e a casa de Isla Negra. Neruda tinha uma relação muito íntima com suas moradas e com suas coisas, motivo pelo qual, hoje, contam muito sobre ele. A página da Fundación Pablo Neruda fornece os endereços, os horários e os meios de se reservar uma visita. Agências de turismo vendem este passeio, no entanto, recomendo que seja feito por conta própria. Além de mais econômico, a visita independente garantirá que distribua o tempo de uma maneira mais conveniente. A visita não é obrigatoriamente guiada em todas elas, contudo, se possível, opte por ser. As casas estão repletas de pequenas detalhes que contam grandes histórias; por isso os guias da Fundação são essenciais. Recomendo o livro Las Casas y Cosas de Pablo Neruda; como disse Aleka Vial, a autora: “A través de estas páginas, Neruda parece gritar que la magia existe y que es posible hacer florecer desde un tornillo hasta una estrella.”. Um magnífico livro de fotos das casas  e coisas do diplomata, revolucionário, nobel de literatura, coisista e apaixonado, Pablo Neruda.

La Chascona

La Chascona está situada aos pés do Cerro San Cristóbal; aberta apenas para visitas guiadas e pré-agendadas, que custam cerca de $2.500 CLP. Se for de metrô, desça na estação Plaza Baquedano, atravesse a avenida Costanera e caminhe algumas quadras pelo boêmio bairro Bellavistaaté a rua Fernando Márquez de la Plata, número 0192. Para La Sebastiana, pode-se pegar o ônibus para Valparaiso no terminal de buses de Santiagosaem a todo instante. Utilize o metrô até o terminal, fica próximo à estação Universidad de Santiago. Recomendo a empresa Pullman Bus, os ônibus são novos, limpos e confortáveis; a passagem custa cerca de $3.000 CLP. A viagem dura aproximadamente 2 horas. Do terminal à casa-museu, para otimizar o tempo, pode-se tomar um táxi, não sai caro. Outra opção interessante é utilizar um ascensor funicular para vencer as ladeiras da cidade portuária. No retorno, desça caminhando sem pressa, apreciando a vista e os murais sobre as fachadas do bairro Cerro Bellavista, também conhecido como Museo a Cielo Abierto. A terceira e última casa de Neruda fica em Isla Negra, um pequeno município costeiro a 100 km de Valparaiso.  A empresa Pullman Bus também opera neste trajeto, a passagem pode ser comprada no próprio terminal de ônibus de Valparaiso, saem ônibus a cada hora durante o dia.

Museo a Cielo Abierto - Bairro Bellavista - Valparaiso

Três sugestões gastronômicas em Santiago: Astrid & Gaston, Nolita Pasta e Basta. Se quer uma experiência inesquecível, um orgasmo gastronômico, não tenha dúvidas: Astrid & Gastón. Experimente el cochinillo de tres semanas. Vale cada centavo da pequena fortuna que deixa por lá. Reserve com antecedência, o restaurante é disputado. Nolita está localizado em Las Condes, no centro financeiro chileno. Apesar de sofisticado, o ambiente é acolhedor e bem humorado… a cozinha, tão excelente quanto o atendimento. O Pasta e Basta fica no pátio externo do centro comercial Parque Arauco, ótimo restaurante italiano, onde come-se bem a preço justo. Não sou um conaisseur, mas arrisco uma dica: estando no Chile, na dúvida, peça um Carmenérè Reserva. Os vinhos desta casta de uva, hoje, exclusiva do país, não decepcionam.

El cochinillo de tres semanas - Astrid & Gastón

Aproveitando o assunto, recomendo a visita à vinícola Undurraga, uma das mais tradicionais do país. Fica a poucos minutos de carro do centro de Santiago. Fuja dos pacotes turísticos, reserve – por e-mail ou telefone – uma vaga na primeira turma do dia, por volta das 10:15 a.m., contrate um motorista de táxi e desfrute o passeio. Já havia visitado a vinícola Concha y Toro, noutra ocasião, se tiver que escolher entre elas, fico com a Undurraga. O Sr. German se encarrega de proporcionar uma visita descontraída e esclarecedora. Durante uma agradável caminhada pelas dependências da vinícola, o eloquente guia desmistifica a enologia aos leigos. Ao custo de $8.000 CLP, o tour dura cerca de 1 hora e meia. Percorre-se o pátio histórico, os vinhedos, a moderna planta de vinificação, as bodegas subterrâneas e, por fim, passa-se à degustação de três vinhos reserva. Se pretende adquirir algumas garrafas, vai a dica: Carménère Reserva Especial da linha Sibaris de Undurraga.

Bodegas subterrâneas da vinícola Undurraga

O Museo de Arte Precolombino mereceu uma re-visita. Reserve algumas horas de sua estada em Santiago para apreciar as belas e bem conservadas peças da exposição permanente deste museu. O acervo - apresentado ao público através de modernas instalações - conta a história dos povos que habitavam a América do Sul antes da invasão européia. Como o Museu do Ouro de Bogotá, o Museu de Arte Pré-colombino é imprescindível aos que pretendem se inteirar das origens das sociedades latino-americanas. Indo de metrô, desça na estação Plaza de Armas, abre de terça a domingo, das 10:00 a.m. às 06:00 p.m., paga-se $3.000 CLP pela entrada.

Museo de Arte Precolombino

Estando no país entre os meses de junho e outubro, não deixe de curtir as estações de esqui. Nos arredores de Santiago, existem várias: PortilloColorado , Valle NevadoLa Parva… No mês de julho ficam lotadas; a maioria, brasileiros. A empresa Sky Total oferece toda a estrutura necessária: o equipamento, o translado, a reserva das aulas para os iniciantes, os ingressos às estações… Dizem que nos meses seguintes os custos reduzem significativamente, fica a dica para quem puder viajar de agosto a outubro. Não foi minha primeira vez na neve, mas foi no esqui. O começo, confesso que não é fácil, mas, quando se familiariza com a técnica e com os equipamentos, não se quer mais ir embora. Pretendo passar uma temporada no Chile com a finalidade específica de aprender e praticar o esporte.

Estação de esqui Colorado

A capital chilena não se esgota nas opções aqui comentadas. Sendo a segunda visita, priorizamos o que ainda não havíamos conhecido e, também, o que mais nos marcou na primeira. Sobre a troca da guarda do Palacio de la Moneda, o Cerro San Cristóbal, o zoológico, os centros de compras e outros bares e restaurantes, comento noutra oportunidade.

Santiago de Chile

Santiago não é mais tão barata como já foi outrora, mas também não pode ser considerada uma capital cara. A valorização do real nos ajuda nas conversões. O peso chileno (CLP) é a moeda corrente oficial no país. Atualmente, 1 real vale, aproximadamente, 280 pesos chilenos. Os preços médios cobrados por hospedagem, alimentação e serviços não são mais a pechincha que eram há 5 anos. No entanto, os produtos em geral, ainda continuam bem  mais em conta que em nosso paisinho. Quanto aos gastos no exterior, dou preferência ao uso do cartão de crédito. Tecnicamente, em algumas análises, minha opção pode ser financeiramente desvantajosa, porém, a considero mais segura. Apenas para exemplificar, podemos comparar o custo do dólar pago com o cartão de crédito e o do sacado utilizando-se um cartão pré-pago, como o Visa TravelMoney. O primeiro custará cerca de 2% a 3% mais, mas, em contra partida, a opção mais econômica lhe obriga a circular com o dinheiro em espécie. Não há como criar regra geral nesse assunto, dependendo da taxa de conversão praticada pela operadora do cartão, bem como dos benefícios do programa de relacionamento, o uso do cartão passa a ser vantajoso também do ponto de vista financeiro. De qualquer forma, é sempre prudente ter à disposição dinheiro em espécie, pesos chilenos no caso. Pois, nem todo estabelecimento ou prestador de serviço aceita o pagamento com cartão ou em dólares americanos. Se preferir trocar o dinheiro por lá, não terá dificuldades. No aeroporto de Santiago funcionam casas de câmbio durante as 24 horas do dia. São legalizadas, praticam a cotação oficial e o ambiente é seguro.

Cédulas de peso chileno

Para ingressar no Chile, como turista, basta ter um documento de viagem válido até o término de sua estada e comprovar capacidade financeira para se manter durante o mesmo período. De acordo com a legislação chilena, se for se hospedar na casa de um nacional, deve apresentar um convite do mesmo; se não, deve comprovar reserva em hotel. Regras similares às exigidas na maioria dos países. Apesar de não ser país membro, o Chile é associado ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), portanto, o turista brasileiro não precisa de passaporte, basta apresentar o  documento de identidade civil (RG). Essa história de que o documento de identidade não pode ter mais de 10 anos é lenda… O artigo 1º do Acordo sobre Documentos de Viagem dos Estados Partes do MERCOSUL e Estados Associados diz que o prazo de validade dos documentos aceitos será o estabelecido nos mesmos pelo Estado emissor; não possuindo data de vencimento, entender-se-á que os documentos mantêm sua vigência por prazo indeterminado. Para evitar aborrecimentos com a desinformação alheia, prefiro o bom e velho passaporte, com pelo menos 6 meses de validade… Vai alugar um carro?  É necessária a permissão internacional para dirigir; você pode providenciá-la junto ao DETRAN do seu estado. Uma preocupação para o viajante com destino na América do Sul é a vacina contra a febre amarela… relaxe, o Chile não figura na lista  - publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) - dos países que exigem a comprovação desta.

O Consulado-Geral do Brasil, no Chile, fica em Santiago, no seguinte endereço: Calle Enrique Mac-Iver 225, Piso 15. O idioma oficial é o castelhano. A rede de energia elétrica é 220 v. O Chile continental está no fuso horário UTC -04:00, ou seja, uma hora atrás do horário de Brasília. Para eventual necessidade de contatar a operadora de cartão de crédito, tome nota dos telefones: American Express, 800-20-8020; Diners Club Internacional, 800-22-0220; Mastercard, 56-2-638-6380; Visa Internacional, 56-2-633-9596. Outros telefones úteis: socorro médico,  131; bombeiros, 132; polícia, 133.


Mapa do Metrô de Santiago

Publicado por: paulobedran | 25/06/2011

Mergulho em San Andrés

Em pleno mar do Caribe, distante 700 km da costa sulamericana, encontra-se San Andrés, ilha colombiana declarada reserva da biosfera pela UNESCO. Para os praticantes do mergulho autônomo, trata-se de um bom destino de férias. O leito marinho do caribe garante satisfação ao mergulhador. Os recifes de corais e seus coloridos moradores proporcionam um belo cenário, as águas cristalinas garantem ótima visibilidade a temperaturas agradáveis. A ilha dispõe de boa infraestrutura nos centros de mergulho. Recomendo a operadora Buzos del Caribe, a simpatia e o profissionalismo de seu staff cativa o visitante. As saídas, com direito a duas imersões e equipamento completo, custam cerca de COP $140.000.

Fora da rota dos furacões que atormentam o caribe, a região oferece bons mergulhos durante todo o ano, com temperatura da água variando entre 27 e 30 graus, e visibilidade média entre 20 e 40 metros. Os principais pontos de mergulho encontram-se a cerca de 20 minutos de navegação a partir da costa, a profundidades médias de 12 a 35 metros. Um dos pontos de mergulho de maior destaque é o naufrágio do barco Blue Diamond, afundado pela marinha colombiana por transportar substâncias entorpecentes.

Além de tantas belezas, poderá ainda acompanhar a captura do peixe-leão, realizada pelos instrutores locais. Nativos da região Indo-Pacífica, os belos peixes invasores representam ameaça à biodiversidade local, predadores vorazes, alimentam-se dos pequenos peixes coloridos que adornam os recifes de corais. Mas não se aventure nesta caçada, o corpo dos integrantes da família Scorpaenidae é repleto de espinhos que produzem e armazenam veneno. Apesar dos efeitos deste veneno raramente irem além de dor intensa, não vale a pena correr o risco.

Se não é mergulhador autônomo certificado, ainda assim poderá desfrutar do universo subaquático caribenho. Existem diversos locais onde pode-se praticar o mergulho livre, para o qual máscara e respirador são suficientes… Se não tem, deixe para comprar por lá. A ilha é zona de livre comércio, mercadorias importadas são encontradas a bons preços. O Cayo Acuario é uma boa opção para prática da atividade, fica a poucos minutos de barco. Além de peixes coloridos, poderão ainda observar arraias, moreias e, se derem sorte, pequenos tubarões.

No comércio local, por US$ 15,00 você pode comprar uma bolsa estanque para sua câmera, acessório que permite a utilização do equipamento fotográfico debaixo d’água, a profundidades de até 10 metros. Sapatilhas com solado de borracha também são convenientes aos que visitam a ilha, protegem os pés dos recifes rochosos e dos ouriços-do-mar. O par custa apenas US$ 6,00 e é facilmente encontrado na ilha.

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